O Direito Bancário, ao qual nos dedicamos desde os primeiros dias de nossa carreira jurídica, muitas vezes requer medidas urgentes. Particularmente na área de recuperação de crédito, frequentemente necessitamos, por exemplo, da efetivação de uma tutela de natureza cautelar. Como proceder em um período como o presente, com o recesso do Judiciário começando em 20 de dezembro e se estendendo até 31 de janeiro? Não é aconselhável aguardar o término das férias forenses para obter uma decisão judicial, pois a demora ou até o comportamento do devedor pode colocar em risco o direito do credor.

Em mais de 50 anos de atividade, nosso escritório jamais parou e, portanto, sempre buscamos tomar as providências necessárias para a obtenção de medidas reparatórias urgentes, assegurando os direitos de nossos clientes. A propósito, recordamos de um episódio ocorrido há alguns anos neste período de festas.

Tínhamos um levantamento de depósito muito grande a fazer, e o caso corria em uma comarca a cerca de 2 horas de nosso escritório. As primeiras tentativas não obtiveram êxito. Então, viajamos para lá, pois a questão dependia da decisão de uma juíza, cujo tempo vinha sendo dedicado quase totalmente a um caso complicado envolvendo guarda de menor.

Conversamos brevemente com ela, que relatou sua preocupação com esse caso, e informou que tinha várias outras guias aguardando sua análise e, portanto, não atenderia nossa demanda. Respeitosa e calmamente, argumentamos: “Doutora, a senhora aceita um conselho de um velho advogado com quase 50 anos de profissão? Minha sugestão é que a senhora chame seu escrevente para que ele, conversando com a senhora, confira cada guia. Se estiver correta, a senhora poderá assiná-la com segurança. Desse modo, em meia hora ou pouco mais, a senhora tirará essa fila de suas preocupações e vai se livrar dos advogados, como eu, que vêm interromper seu trabalho. Desejo à senhora muita paz, confie em Deus, que tudo se resolverá.

Espero que amanhã, se Deus quiser, eu receba um telefonema informando que a senhora já analisou nosso caso”. Dito isso, nós nos despedimos. No dia seguinte, recebemos a ligação do escrevente, informando que a guia estava assinada.

Esse caso demonstra que o conhecimento técnico é essencial, mas não é suficiente. A arte da advocacia também se baseia na capacidade de comunicação interpessoal, o que exige educação, respeito, postura adequada e, sobretudo, empatia, sabermos nos colocar no lugar do outro, entender sua dor e, de forma genuína, ajudar a diminuí-la.

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