Cooperativas de crédito: gerando riquezas e driblando crises

A pandemia iniciada em março do ano passado em nosso País atingiu de forma severa o crédito em geral, pois tornou seu acesso mais difícil, em razão das incertezas da economia e do fim de restrições. Assim, os produtores rurais, em face do bom momento vivido pelo agronegócio, com as commodities em plena expansão, buscaram alternativas dentro do sistema financeiro nacional.

Nesse aspecto, surgiram as cooperativas de crédito, que tiveram um crescimento exponencial no período com a adesão de novos associados, que passaram a ver no sistema cooperativo uma fonte segura, onde o cooperado é ao mesmo tempo usuário e dono do negócio. Outra razão é que, por serem sociedades de pessoas, as cooperativas permanecem na sua área de ação, contribuindo para o desenvolvimento, criando empregos e distribuindo renda e qualidade de vida.

Daí a importância e a alternativa das cooperativas para o financiamento rural. Dada a sua singularidade, possibilitam aos seus associados o acesso a um crédito mais barato e com possibilidade de retorno sobre o mesmo ao fim do ano fiscal. A grande vantagem é o custo barato desse crédito.

Em face desses benefícios, o cooperativismo de crédito vem crescendo, apesar da pandemia, acima da média em relação ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), e isso é de fácil constatação. De 2016 a 2020, a carteira de crédito do setor cooperativista passou de 2,74% do SFN para 5,1%, chegando à casa de R$ 229 bilhões, com quase 12 milhões de associados.

As cooperativas de crédito vêm respondendo positivamente ao enfrentamento das crises, propiciando aos seus associados uma suavização dos efeitos negativos das recessões, principalmente nessa crise da pandemia de Covid-19.

Diante das necessidades de isolamento e distanciamento social, com restrições de atendimento, as cooperativas investiram pesadamente em tecnologia, possibilitando aos associados a continuidade dos negócios, com todas as transações à distância, por meio de aplicativos.

Outra grande vantagem é sua capilaridade, principalmente no interior dos Estados, atendendo o agronegócio de forma diferenciada, possibilitando ainda retorno em relação aos empréstimos, o que é chamado de ganho cooperativo agregado, por ser o cooperado o dono do empreendimento cooperativo.

Existe um vasto campo para crescimento das cooperativas de crédito, principalmente aquelas que atuam diretamente com o agronegócio. Exatamente nos momentos de crise é que se tem noção dos benefícios das cooperativas, como uma alternativa que oferece menor custo e promove a inclusão financeira entre seus associados.

O crédito cooperativo gera riquezas. Ao disponibilizar recursos, há um estímulo às atividades econômicas correlatas, incentivando a criação e a manutenção de empregos e o empreendedorismo. No campo também não é diferente, pois a cada R$ 36 mil de créditos concedidos pelas cooperativas, um novo posto de trabalho é criado, fazendo circular riqueza no campo.

Assim, as cooperativas de crédito crescem na pandemia driblando as crises, pois, sem fins lucrativos, conseguem taxas bem competitivas e vão abrindo os horizontes para novos crescimentos.

Daniel de Souza, advogado especializado em Direito Bancário e Cooperativas do escritório Reis Advogados