Etanol e oportunidades externas

O Brasil criou em 1975 o Programa Nacional do Álcool – PROALCOOL, cujo objetivo foi reduzir a grande dependência do petróleo importado e criar um mercado adicional para os produtores de açúcar, à época incentivando ainda a fabricação de carros que rodassem com este combustível.

Na década de 1990, em razão de mercado, houve substancial crescimento das exportações de açúcar, o que resultou em escassez e racionamento do uso do etanol.

Referida crise durou até 2003, quando surgiu no mercado brasileiro o veículo “flex fuel”, ou bicombustível, possibilitando reequilíbrio e aprofundamento da busca de novas tecnologias para aumentar a produção.

A produção de etanol produzida a partir da cana-de-açúcar, desde então, vem demonstrando crescimento exponencial, graças à tecnologia desenvolvida aqui no Brasil.

A cana produzida no Brasil gerou em torno de 600 milhões de toneladas em 2020, mesmo com uma pequena redução da área plantada. Isso com base em uma melhor produtividade em face da incorporação de novas tecnologias, quebrando um recorde histórico com produção de aproximadamente 37 bilhões de litros de álcool anidro e hidratado.

Vale destacar que esses recordes se devem aos avanços tecnológicos que têm sido realizados nos complexos agroindustriais, com modernização dos processos e melhoria genética das cultivares, impactando diretamente os custos de produção e, de forma importante, a produtividade no campo.

A busca de um combustível limpo e renovável mundo afora faz com que surjam novas oportunidades para o setor sucroalcooleiro, até então muito desprezado e marginalizado pelas autoridades governamentais.

O mundo atualmente conta com aproximadamente 60 países que já introduziram o etanol em suas matrizes energéticas, o que demanda uma procura maior não só pelo etanol, mas também pelas tecnologias de ponta, visando à produção em larga escala e de forma mais eficiente.

Vale lembrar que o grande consumo de etanol no mundo ainda advém dos Estados Unidos (57 bilhões de litros), com crescimento de consumo numa faixa de 13,4% ao ano, enquanto no Brasil, apesar da grande produção (37 bilhões de litros), esse crescimento fica em torno de 5,6% ao ano, com uma demanda de aproximadamente 34 bilhões de litros.

Ou seja, sobra etanol no Brasil e falta no resto do mundo. Devemos enfatizar que o incentivo a uma produção crescente de etanol desafoga a produção em excesso de açúcar, equilibrando ambos os mercados.

Aliadas a isso, temos uma preocupação mundial cada vez maior com a sustentabilidade do planeta, a firme tendência de redução crescente das reservas de petróleo e a necessidade de buscar energias alternativas e renováveis.

Visando exatamente ao suprimento dessa falta, o Brasil se coloca como uma fonte de oportunidades no sentido de propiciar sustentabilidade e segurança energéticas, por ser um dos principais players do setor, podendo fazer parcerias técnicas nas áreas agrícola e industrial com outros países em condições de produzir cana-de-açúcar.

O mercado atual externo se mostra, portanto, bastante promissor, propiciando ao setor sucroalcooleiro valer-se de sua “expertise” para expandir seus horizontes comerciais, não só com a exportação de etanol, mas também de tecnologia e serviços. Especialmente soluções alternativas, como o uso da biomassa — resíduo da cana usada para produção de etanol e açúcar –, o que propicia a redução da área plantada, resultando numa matriz mais limpa e renovável.

DANIEL DE SOUZA, PÓS-GRADUADO EM DIREITO BANCÁRIO, ADVOGADO DO ESCRITÓRIO REIS ADVOGADOS

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