ETANOL E OPORTUNIDADES EXTERNAS

DANIEL DE SOUZA, PÓS-GRADUADO EM DIREITO BANCÁRIO, ADVOGADO DO ESCRITÓRIO REIS ADVOGADOS

O Brasil criou em 1975 o Programa Nacional do Álcool – PROALCOOL, cujo objetivo foi reduzir a grande dependência do petróleo importado e criar um mercado adicional para os produtores de açúcar, à época incentivando ainda a fabricação de carros que rodassem com este combustível.

Na década de 1990, em razão de mercado, houve substancial crescimento das exportações de açúcar, o que resultou em escassez e racionamento do uso do etanol.

Referida crise durou até 2003, quando surgiu no mercado brasileiro o veículo flex fuel, ou bicombustível, possibilitando reequilíbrio e aprofundamento da busca de novas tecnologias para aumentar a produção.

A produção de etanol produzida a partir da cana de açúcar, desde então, vem demonstrando crescimento exponencial, graças à tecnologia desenvolvida aqui no Brasil.

A cana produzida no Brasil vai gerar, neste ano, em torno de 600 milhões de toneladas, mesmo com uma pequena redução da área plantada. Isso com base em uma melhor produtividade em face de incorporação de novas tecnologias, quebrando um recorde histórico com produção de aproximadamente 37 bilhões de litros de álcool anidro e hidratado.

Vale destacar que estes recordes se devem aos avanços tecnológicos que têm sido realizados nos complexos agroindustriais, com modernização dos processos e melhoria genética das cultivares, impactando diretamente os custos de produção e, de forma importante, a produtividade no campo.

A busca de um combustível limpo e renovável mundo afora faz com que surjam novas oportunidades para o setor sucroalcooleiro, até então muito desprezado e marginalizado pelas autoridades governamentais.

O mundo atualmente conta com aproximadamente 60 países que já introduziram o etanol em suas matrizes energéticas, o que demanda uma procura maior não só pelo etanol, mas também pelas tecnologias de ponta visando à produção em larga escala e mais eficiente.

Vale lembrar que o grande consumidor de etanol no mundo ainda são os Estados Unidos (57 bilhões de litros), com crescimento de consumo numa faixa de 13,4% ao ano, enquanto no Brasil, apesar da grande produção (37 bilhões de litros) esse crescimento fica em torno de 5,6% ao ano, com uma demanda de aproximadamente 34 bilhões de litros.

Ou seja, sobra etanol no Brasil e falta no resto do mundo. Devemos enfatizar que o incentivo a uma produção crescente de etanol desafoga a produção em excesso de açúcar, equilibrando ambos os mercados.

Aliado a isso, temos uma preocupação mundial cada vez maior pela sustentabilidade do planeta, aliada à firme tendência de redução crescente das reservas de petróleo e a necessidade de buscar energias alternativas e renováveis.

Visando exatamente o suprimento dessa falta, o Brasil se coloca como uma fonte de oportunidades no sentido de propiciar sustentabilidade e segurança energética, por ser um dos principais players do setor, podendo fazer parcerias técnicas nas áreas agrícola e industrial com outros países em condições de produzir cana-de-açúcar.

O mercado atual externo se mostra, portanto, bastante promissor, propiciando ao setor sucroalcooleiro valer-se de sua expertise para expandir seus horizontes comerciais, não só com a exportação de etanol, mas também de tecnologia e serviços. Especialmente soluções alternativas, como uso da biomassa, resíduo da cana usada para produção de etanol e açúcar, o que propicia a redução da área plantada, resultando numa matriz mais limpa e renovável.

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