A entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados nos faz recordar da relação de nosso trabalho com o uso e o tratamento de informações e como esta evoluiu ao longo dos 51 anos em que nos dedicamos à prática do Direito.

Inicialmente, lidávamos só com os dados necessários à elaboração de algumas petições por semana. Para isso, além do conhecimento técnico e da experiência jurídica que pouco a pouco fomos acumulando, não precisávamos mais do que uma máquina de escrever portátil, nosso primeiro investimento em tecnologia, hoje uma relíquia exposta no saguão de entrada da matriz de nosso escritório.

A ponte que liga a modernidade com que atuamos hoje a esse primeiro instrumento foi construída de forma gradativa, apoiada na evolução tecnológica. Alguns marcos estão em nossa memória.
Ganhamos mobilidade ao adquirir um telefone sem fio, grande e pesado, cuja central ficava em nossa residência. Com ele, podíamos ir ao Fórum sem receio de perder contato com clientes ou outras pessoas que necessitassem comunicar-se conosco.

Em paralelo, passamos a redigir petições, contratos e outros documentos utilizando uma máquina de escrever elétrica IBM, dotada de um conveniente dispositivo para correção de erros de digitação, mais tarde substituída por uma Rentronic, da Remington, ainda mais moderna. Esta tinha um recurso que permitia gravar as petições. Com isso, só era necessário preencher os espaços em branco dos vários modelos gravados, agilizando o árduo trabalho de datilografia.

Entramos, na sequência, na era da informática. No início deste século 21, chegaram nossos primeiros computadores, grandes e exigindo operadores especializados, e, em seguida, nossas primeiras digitalizadoras de documentos, que nos permitiram trabalhar com um volume de dados muito maior, em formato eletrônico, economizando papel e arquivos físicos.

Há pouco mais de uma década, instalamos nosso servidor próprio, possibilitando à nossa equipe atuar em rede, cada um com seu terminal, com total segurança e obedecendo aos mesmos imperativos de confidencialidade e respeito à privacidade que cumprimos com rigor desde os primeiros tempos. Essa sucessão de investimentos nos conduziu naturalmente ao período atual, com toda a nossa equipe jurídica trabalhando em home office, com notebooks e smartphones.

Essa trajetória demonstra que não há limites para o engenho humano. Vivemos em contínua transição para algo melhor, e o segredo, para avançarmos, é estarmos abertos ao novo, com equilíbrio e pés no chão, mesclando ousadia e cautela, para dar a cada cliente nada menos do que o máximo de eficiência possível em cada momento.

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