ADVOCACIA NO TJSP EM TEMPOS DE PANDEMIA

CARLOS SOARES, ADVOGADO DA UNIDADE SÃO PAULO
DO REIS ADVOGADOS, ESPECIAL PARA REIS NEWS

Até a primeira quinzena de março de 2020, o trabalho junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo estava sacramentado em nosso cotidiano. Uma rotina repetida todos os dias com nossa missão junto aos desembargadores e que, com a quarentena e o distanciamento social, precisou passar por uma rápida adaptação.

Anteriormente à pandemia, nossa rotina começava com o estudo do caso para saber se está apto para uma atuação específica junto ao Tribunal de Justiça. Escolhido o caso, o próximo passo era a confecção de memoriais, que necessariamente demandam objetividade e clareza dos fatos com primorosa argumentação.

Antes de atravessarmos o centro histórico de São Paulo com os memoriais em mãos até a Rua Conde de Sarzedas, onde fica o moderno edifício com os gabinetes dos desembargadores, tínhamos de aguardar pelo momento do despacho. Na sessão de julgamento, adrenalina para levar a público as razões pelas quais o recurso apresentava os elementos de direito naquele processo.

Até chegar à sessão enfrentávamos filas nas salas da OAB ou na sala do Tribunal atendendo aos protocolos da Corte. Muitos colegas aguardavam sua vez para não ficar sem a vestimenta correta, a tradicional beca. E todas eram compartilhadas com uma única restrição: a quantidade. Com a vestimenta adequada nos restava apenas aguardar o início do julgamento.

Atualmente, depois da segunda quinzena de março, entramos em um “novo normal” que dispensa quase tudo que foi mencionado acima. Contudo, a situação de distanciamento social e de trabalho em home office da Justiça Paulista trouxe à tona habilidades que antes não pensávamos que existissem. A tecnologia veio em reforço a essa nova era.

Os estudos de caso continuam os mesmos, pois ainda devemos nos atentar àqueles em que nossa atuação junto ao Tribunal deve ser feita de forma assertiva e cirúrgica, elevando a credibilidade do cliente. O início sempre é um pouco mais difícil, mas, como em todos os aspectos da vida, o novo traz coisas boas e inovadoras que nos desafiam a ser mais flexíveis e dinâmicos.

Em função da impossibilidade presencial nos gabinetes e nas sessões, os despachos são realizados hoje em dia por meio de gravação de vídeo, que depois é convertida para QRCode, e este é inserido nos memoriais para que os desembargadores tenham acesso às nossas alegações.

Essa nova maneira de atuar vem em conjunto com as sessões telepresenciais, que fazem com que o advogado tenha a possibilidade de realizar, de dentro de sua casa, de seu escritório, ou onde quer que esteja, sua sustentação antes feita nas salas do Palácio da Justiça. Basta ter um computador ou um celular, uma câmera, um microfone, um fone de ouvido e, claro, uma boa conexão de internet. Ferramentas que antes não se pensava em utilizar na atuação in loco nos Tribunais.

O “novo normal” trazido pela pandemia veio para facilitar e para inovar, mostrando que somos capazes de realizar mais e melhor em prol da advocacia, em favor dos clientes. Revelou também habilidades que sequer sabíamos que tínhamos. A cada dia nos tornamos mais completos e ansiosos para buscar “novos normais”, cientes de que algumas dessas novas maneiras de atuar e suas ferramentas facilitadoras devem permanecer.

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