Agronegócio brasileiro: os impactos da reforma tributária

Agronegócio brasileiro: os impactos da reforma tributária

22/05/2025
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A reforma tributária brasileira, aprovada em 2024, introduz diversos incentivos fiscais específicos para o agronegócio, um dos pilares do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Na verdade, em todos os setores da economia, deverá ocorrer uma transformação significativa no sistema de arrecadação de impostos. Por exemplo, a proposta de simplificação dos tributos, por meio da unificação de diversos impostos em um IVA (Imposto sobre Valor Agregado), visa aumentar a transparência e a eficiência tributária. No entanto, para o setor agropecuário, os efeitos são complexos e precisam ser analisados com cuidado.

Um dos principais benefícios para o agronegócio é o fim da cumulatividade dos tributos, uma vez que a reforma prevê o aproveitamento integral de créditos tributários, eliminando o efeito cascata e tornando a tributação mais justa. Atualmente, muitos produtores enfrentam a incidência de impostos em cascata, o que eleva o custo final da produção. Com o novo sistema, haverá a possibilidade de compensação de créditos ao longo da cadeia produtiva, o que tende a reduzir a carga efetiva de impostos e dar mais previsibilidade ao setor.

Além disso, a simplificação e unificação dos tributos podem significar uma redução na burocracia. Hoje, produtores e empresas agropecuárias lidam com diferentes obrigações acessórias e interpretações tributárias, o que gera insegurança jurídica. Com regras mais claras e unificadas, espera-se um ambiente de negócios mais seguro e atrativo para investimentos. Outro ponto positivo é a neutralidade prometida pela reforma: os tributos seriam cobrados de maneira mais uniforme entre setores, evitando distorções e subsídios cruzados que favorecem uns em detrimento de outros.

Principais pontos

Alíquota zero para produtos da cesta básica.

Redução de 60% nas alíquotas para produtos e insumos agropecuários.

Isenção para pequenos produtores rurais.

Desoneração de máquinas e implementos agrícolas.

Diferimento na compra de insumos.

Redução de tributos para serviços técnicos agrícolas.

Apoio à agricultura familiar.

Incentivos para biocombustíveis.

Desvantagens e preocupações

Apesar dos potenciais avanços, o setor agropecuário também manifesta preocupações legítimas. Uma das principais é o risco de aumento da carga tributária em determinadas cadeias produtivas, sobretudo naquelas mais expostas à exportação e que operam com margens reduzidas. Como muitos insumos do agronegócio não são tributados hoje ou são beneficiados por regimes especiais, a substituição desses incentivos por um modelo mais rígido pode resultar em custos adicionais.

Outro desafio é a forma como a devolução dos créditos tributários será operacionalizada. A cadeia do agronegócio é longa, com diferentes agentes envolvidos – produtores, cooperativas, indústrias e distribuidores. Se o sistema não garantir agilidade e clareza na devolução dos créditos, pode haver impacto no fluxo de caixa e na competitividade, especialmente para os pequenos e médios produtores. Além disso, questões logísticas e regionais também entram no debate: estados produtores e exportadores temem perda de arrecadação ou redução na autonomia fiscal, o que pode afetar políticas públicas voltadas ao setor.

Em suma, a reforma é uma oportunidade de modernizar o sistema tributário brasileiro. Para o agronegócio, os efeitos serão significativos, com potenciais ganhos em eficiência e transparência, mas também com riscos que precisam ser cuidadosamente endereçados. O sucesso da implementação dependerá de um diálogo constante entre o governo, o Congresso e os representantes do setor, garantindo que os benefícios da mudança sejam compartilhados de forma justa e sustentável em todo o território nacional.


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